5 erros que arruínam a criação de frangos de corte
Quase todos os pequenos avicultores que visitamos perdem dinheiro pelos mesmos cinco motivos. Nenhum deles exige equipamento caro para ser corrigido — exigem atenção nos primeiros dias e disciplina no dia a dia.
Estes são os erros que mais vezes encontramos no terreno, e o que fazer em vez disso.
1. Meter aves a mais no mesmo espaço
É a tentação mais natural: o pavilhão está construído, os pintos são baratos, porque não pôr mais uns quantos?
Porque o lucro não vem do número de aves alojadas — vem dos quilos de frango que saem do pavilhão. Com aves a mais, a cama fica húmida mais depressa, o amoníaco sobe, as aves comem menos e adoecem mais. Acaba por vender menos quilos do que venderia com menos aves.
Em pavilhão aberto, como é a maioria em Angola, conte com **10 a 12 aves por metro quadrado** — e desça para 8 a 10 na época mais quente. Num pavilhão de 10 x 8 metros (80 m²), isso são 800 a 960 aves, não 1.500.
2. Descuidar a água
A água é o alimento mais consumido e o mais esquecido. Uma ave bebe cerca de **duas vezes o peso do que come**, e bastante mais quando está calor. Se a água falta duas horas num dia quente, o consumo de ração cai nesse dia e já não recupera.
O que verificar todos os dias:
- Todos os bebedouros com água limpa e fresca, sem excepção
- Bebedouros lavados diariamente — o biofilme que se sente escorregadio ao toque é onde as bactérias crescem
- Água à altura do dorso das aves, subindo os bebedouros à medida que elas crescem
- Reserva suficiente para aguentar um corte de água ou de energia
Se não bebesse a água que dá às suas aves, elas também não deviam bebê-la.
3. Falhar o aquecimento na primeira semana
Um pinto com poucos dias ainda não regula a própria temperatura. Se tiver frio, junta-se em montes, não come e não bebe — e um pinto que não come nos primeiros dias nunca alcança o peso dos outros, por muito boa que seja a ração depois.
Comece o alojamento a **32-34 °C** ao nível dos pintos e baixe cerca de 2 a 3 °C por semana, até aos 21-24 °C. Mas o termómetro é só um guia: **são as aves que dizem a verdade**.
- Amontoadas debaixo da fonte de calor: têm frio
- Afastadas para as paredes, de bico aberto e a ofegar: têm calor
- Espalhadas por igual, a comer, a beber e a fazer barulho: está certo
Olhe para o lote assim que entrar no pavilhão, antes de olhar para o termómetro.
4. Comprar ração pelo preço do saco
É o erro que mais dinheiro custa, e o mais difícil de ver, porque parece uma poupança.
Uma ração mais barata que dê pior conversão sai mais cara no fim. O que interessa não é quanto custa o saco — é **quanto custa a ração por cada quilo de frango produzido**. Um frango de corte bem alimentado converte cerca de 1,7 kg de ração em 1 kg de peso vivo aos 42 dias. Se a ração barata levar essa conversão a 2,2 kg, está a gastar meio quilo de ração a mais por cada quilo de frango — e nenhum desconto no saco compensa isso.
Faça as contas do seu próprio lote: pese a ração que entrou, pese os frangos que saíram, divida. É a conta mais rentável que pode fazer no seu negócio.
5. Encher o pavilhão no dia seguinte a esvaziá-lo
Vender o lote à sexta e alojar pintos novos no sábado parece aproveitar bem o espaço. Na prática, é entregar aos pintos novos todas as doenças do lote anterior.
Entre lotes é preciso: retirar toda a cama velha para longe do pavilhão, lavar, desinfectar, e deixar o pavilhão **vazio e seco 10 a 14 dias**. É o chamado vazio sanitário, e não há vacina que substitua o que ele faz.
Vale a pena juntar-lhe o resto da biossegurança, que não custa quase nada: pedilúvio à entrada, botas e fato só para o pavilhão, visitas limitadas, e **nunca** entrar num lote novo depois de ter estado num lote velho.
Por onde começar
Se só puder mudar uma coisa esta semana, comece pela água — é a mais barata de corrigir e a que dá resultado mais depressa. Depois trate do vazio sanitário no próximo lote e faça as contas da conversão da ração.
Estes cinco pontos são o alicerce de qualquer produção rentável, e são também o que trabalhamos em detalhe no curso **Avicultura do Zero ao Lucro**: instalações, maneio, sanidade, alimentação e gestão do negócio, passo a passo e com números.
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